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terça-feira, 14 de julho de 2015

AUTOMONITORAMENTO DA GLICEMIA CAPILAR

Tem chegado a mim, bastante reclamações sobre a quantidade de tiras recebidas no SUS, a maioria das pessoas reclama que não atende as suas necessidades, e eu devo concordar, somos regidos por leis e protocolos, então acho válido entendermos o que diz a lei e os protocolos para sabermos melhor quais são os nossos direitos.
Existe uma grande duvida entre as necessidades diárias de teste glicêmicos e a dispensação das tiras pelo governo porque cada secretaria de saúde tem seu protocolo, são as PREFEITURAS as responsáveis pelo fornecimento de tiras a população pelo SUS.
Então vou falar da LEI FEDERAL, DIRETRIZES DO MINISTERIO DA SAÚDE PARA ATENÇÃO BÁSICA, DIRETRIZES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES E O PROTOCOLO DA PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO.

O anexo da lei federal diz:
"O automonitoramento do nível de glicose do sangue por intermédio da medida da glicemia capilar é considerado uma ferramenta importante para seu controle, sendo parte integrante do autocuidado das pessoas com diabetes mellitus insulino-dependentes, aí compreendidos os portadores de diabetes mellitus tipo 1 (DM1), diabetes mellitus tipo 2 (DM2) que usam insulina e diabetes gestacional (DG).
. Critérios para inclusão dos pacientes:
- o automonitoramento da glicemia capilar não deve ser considerado como uma intervenção isolada;
- sua necessidade e finalidade devem ser avaliadas pela equipe de saúde de acordo com o plano terapêutico global, que inclui intervenções de mudança de estilo de vida e medicamentos;
- deve estar integrado ao processo terapêutico e, sobretudo, ao desenvolvimento da autonomia do portador para o autocuidado por intermédio da Educação em Saúde;
A freqüência diária recomendada em média deve ser três a quatro vezes ao dia.
Os portadores de diabetes tipo 1 e os que usam múltiplas injeções diárias de insulina podem fazer a glicemia de “ponta de dedo” 3 a 4 vezes ao dia e em horários de ocorrência de maior descontrole glicêmico permitindo ajustes individualizados da insulina; essas medidas incluem uma antes (pré-prandial ) e 2 horas após as refeições (pós-prandial) e ao deitar. O teste à noite é importante para a prevenção de hipoglicemias noturnas.
Para os que usam insulina e agentes hipoglicemiantes orais e praticam exercício, o AMGC antes, durante e, especialmente, horas após o exercício pode contribuir para estabelecer o nível de resposta à atividade física. Essa informação pode ser usada para fazer ajustes nas doses e/ou na ingestão de carboidratos e evitar alterações glicêmicas significativas, sobretudo a hipoglicemia."



O Caderno de Atenção Basica do SUS com orientações para o cuidado da pessoa com DIABETES mantem as orientações:
"É recomendada a monitorização da glicemia capilar três ou mais vezes ao dia a todas as pessoas com DM tipo 1 ou tipo 2 em uso de insulina em doses múltiplas (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2013) [Grau de Recomendação B]. Em pessoas com bom controle pré-prandial, porém com HbA1c elevada, a monitorização da glicemia capilar duas horas após as refeições pode ser útil. Em pessoas com DM tipo 2 em uso de antidiabéticos orais a monitorização da glicemia capilar não é recomendada rotineiramente (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2013)." pag 49.

A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda:
"Ao definir o esquema de automonitoramento da glicemia, deve-se ter em conta o grau de estabilidade ou de instabilidade da glicemia, bem como a condição clínica específica em que o paciente se encontra em um determinado momento. 
Não existe esquema padrão de frequência de testes glicêmicos que seja aplicável a qualquer paciente, indistintamente. É importante saber que a frequência de testes para portadores de DM2 deve ser determinada exclusivamente com base no perfil de resposta clínica do paciente ao tratamento instituído
Necessidade maior de testes:
  • Início do tratamento (Inclui diabetes tipo 2)
  • Ajuste da dose do medicamento 
  • Mudança de medicação 
  • Estresse clínico e cirúrgico (infecções, cirurgias etc.) 
  • Terapia com drogas diabetogênicas (corticosteroides) 
  • Episódios de hipoglicemias graves 
  • HbA1c elevada com glicemia de jejum normal

Freqüência dos testes:
PERFIL GLICÊMICO: SEIS TESTES POR DIA POR TRÊS DIAS NA SEMANA.

  • Testes pré-prandiais: antes do café da manhã, do almoço e do jantar
  • Testes pós-prandiais: 2 horas após o café  da manhã, o almoço e o jantar
  • Testes adicionais para paciente do tipo 1 ou do tipo 2 usuário de insulina:
  • Hora de dormir
  • Madrugada (3 horas da manhã) 

Necessidade menor de testes:
  • Condição clínica estável. 
  • Baixa variabilidade nos resultados dos testes, com HbA1c normal ou quase normal

Freqüência variável:
CONFORME TIPO, TRATAMENTO E GRAU DE ESTABILIDADE GLICÊMICA

  • Tipo 1: 3 testes ou mais por dia em diferentes horários, sempre
  • Tipo 2 insulinizado: 3 testes por dia em diferentes horários, dependendo do grau de estabilização glicêmica.
  • Tipo 2 não insulinizado: pelo menos 2 a 4 testes por semana, em diferentes horários, dependendo do grau de estabilização glicêmica." pag 264.
"O automonitoramento da glicemia capilar é um dos pilares que fundamentam e dão suporte à terapia basal bolus. Muitos pacientes deixam de realizar a glicemia capilar em horários fundamentais para o ajuste da terapia insulínica. A medição glicêmica ao acordar nos oferece uma noção da correta cobertura de insulina basal. O monitoramento antes das refeições possibilita, de modo correto, a aplicação da dose de insulina bolus, assim como a correção de hiperglicemias; a realiza- ção da glicemia capilar 2 horas após determinada refeição nos permite verificar se o fator de sensibilidade e da relação insulina-carboidrato estão realmente corretos. A utilização de um diário glicêmico é de fundamental importância e muitos pacientes tendem a utilizar somente a glicemia do momento para tomar atitudes, não levando em conta o histórico de tendências." pag 95.

A prefeitura do Rio de Janeiro tem um guia de referência rápida que resume as recomendações da Superintendência de Atenção Primária (S/SUBPAV/SAP), construído a partir do conteúdo disponibilizado pelo NICE (National Institute for Health and Clinical Excellence, NHS – Reino Unido) e adaptado para a realidade brasileira e carioca por profissionais que trabalham diretamente na Atenção Primária à Saúde (APS). O documento representa o posicionamento da S/SUBPAV/SAP e tem a função de orientar a assistência clínica nas unidades de APS na cidade do Rio de Janeiro.assistência clínica nas unidades de APS na cidade do Rio de Janeiro, que apresenta as seguintes recomendações:
"A SMS distribui glicosímetros e suas respectivas fitas, lancetadores, lancetas e seringas para os pacientes em uso de insulina em acompanhamento em uma das Unidades da Rede Municipal de Saúde. Sua dispensação deve seguir o protocolo abaixo, mas, a critério clínico, podem ocorrer mudanças na dispensação, desde que justificadas em prontuário.
• Crianças, adolescentes e gestantes: Fitas para 4 verificações/dia, 1 lanceta/dia, 1 seringa/dia.
• Adultos Tipo 1, Tipo 2, em uso de NPH e regular ou 3 doses/dia de NPH: Fitas para até 3 verificações/dia, 1 lanceta/dia, 1 seringa/dia.
• Adultos Tipo 2 em uso de 2 doses de insulina NPH: A critério médico, fitas para 5 verificações/semana, 1 lanceta/3 dias, 1 seringa/dia.
• Adultos Tipo 2 em uso de 1 dose de insulina NPH: Fitas para 3 verificações/semana, 1 lanceta/semana, 1 seringa/2 dias.
A SMS também dispõe de material informativo sobre aplicação, transporte e descarte." pag 21.


Mas devemos sempre lembrar que existe uma LEI FEDERAL que nos garante a quantidade de tiras determinado pelo medico, então, devemos sempre buscar nossos direitos nem que seja com processos judiciais.




FONTES:
Lei Federal: 
Caderno da atenção Basica 2013:
Recomendações da Prefeitura do Rio de Janeiro:
Diretrizes sociedade Brasileira de Diabetes 2013/2014:

sábado, 31 de março de 2012

EXAMES LABORATORIAIS DE ROTINA PARA O CONTROLE DO DIABETES.

A carinha dele, ainda com sono.

Hoje foi dia de fazer exames de rotina, ele não esta muito feliz, mas sabe que é necessário para um bom controle.
Antes do Diabetes exames laboratoriais eram anuais ou de emergência, ele odiava... mas depois do diabetes, ele aceitou melhor... logo no inicio conversamos, tudo sempre foi muito bem colocado, o que ele podia escolher e o que era obrigação, quanto aos exames eu faço assim, ele tem duas semanas e dentro desse tempo pode escolher o dia, caso não escolha, ele obrigatoriamente o fará no ultimo dia possivel, antes da consulta.
Ele gosta de ver os resultados das glicadas, comemora, se decepciona... ele esta aprendendo a lidar com os resultados, quando esta acima da meta, ele logo diz:
-Ihhh mãe, vamos ter que mudar algumas coisas...
E quando esta muito bem, também não se faz de rogado:
-Posso relaxar e comer um chocolate pra comemorar?
Hoje rimos muito com ele, toda a criança quando sai do laboratorio ganha um certificado de coragem, ele deu uma esnobada na atendente:
-Ja tenho tantos desses que esta virando coleção, hoje eu não quero não.
Eu tento ensinar ao meu filho, levar a vida com bom humor, quando rimos de algo que não nos agrada tanto, o peso fica menor, bem menor... mau humor, reclamações... nada disso vai amenizar, pelo contrario... tudo parecerá muito pior do que realmente é.
Desde do diagnostico, ja perdi as contas de quantos exames fizemos. Logo no inicio, foram muitos, antes de ser diagnosticado e entrar em tratamento, o diabetes faz uma verdadeira bagunça no metabolismo e as vezes ele pode vir junto com outra doença autoimune e para organizar tudo, muitos exames.
Hoje, tudo organizado, fazemos alguns exames periódicos, e são os que todo diabetico insulinodependente deve fazer.

HEMOGLOBINA GLICADA: A cada 3 meses, de preferencia no método HPCL, o recomendado pela SBD e exigido pelo medico do Igor.
Porque a cada 3 meses? Esse exame avalia o tratamento, a glicemia capilar é fundamental, mas é esse exame que vai direcionar o tratamento, quando a glicemia fica alterada por muito tempo, ela deixa "marcas" e é a porcentagem dessas "marcas" que vai determinar se o tratamento esta eficiente ou não, te-la muito baixa pode significar muitas hipoglicemias e isso também não é bom.
Eu percebi que quando não existe uma periodicidade neste exame, damos uma relaxada, achamos que esta tudo bem, por isso o medico pedindo ou não, eu faço a cada 3 meses.
PERFIL LIPIDICO: Logo apos o diagnostico o Igor teve uma alteração no colesterol, na época, como não sabiamos ainda se era dele, ou da bagunça feita pelo diabetes antes do tratamento, fazíamos junto com a glicada, de 3 em 3 meses, depois estabilizou e agora o medico pede de 6 em 6 meses, parece que ele tem uma tendencia a ter colesterol alto. Mas deve ser feito pelo menos 1 vez por ano por todo diabetico, e quando ha alterações, de 6 em 6 meses.
T4 e TSH: Assim como no perfil lipídico, o TSH do Igor estava alterado no diagnostico e se manteve por um tempo, mais de 2 anos pós diagnostico, fazíamos trimestralmente para avaliar o T4, quando este apresentasse alteração deveriamos entrar com medicamentos, estaria instalado um quadro de HIPOTIREOIDISMO, mas para nossa felicidade, ambos estabilizaram e agora também fazemos de 6 em 6 meses, por ele ter tido uma alteração insistente, e a indicação desse exame é de pelo menos 1 vez por ano quando não ha alterações.
Alguns outros exames que rastreiam possiveis sequelas do diabetes, começam a serem feitos a partir de 5 anos de diagnostico (dosagem de uréia, urina tipo 1, pesquisa de microalbuminúria, fundo de olho), como eu quero ter uma base la na frente, ja estou em contato com oftalmologistas, escolhendo quem vai acompanha-lo ao longo da vida, Dentista também (diabeticos tem mais tendencias a terem problemas de gengiva), são dois profissionais que são tão importantes quanto o endocrinologista depois de um certo tempo de diabetes e são eles, que juntos, vão ajudar num bom controle e a manter-nos longe das sequelas com qualidade de vida.

Alguns profissionais diminuem a quantidade de exames, e isso pode variar sim de uma pessoa pra outra, mas o exame de Hemoglobina glicada é tão baratinho, que da pra ser feito, mesmo sem o pedido medico e não requer jejum, em media entre 30 e 40,00.
Então, se você não tem certeza de que seu controle é bom, procure um laboratorio e tire esta duvida.