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sábado, 31 de março de 2012

EXAMES LABORATORIAIS DE ROTINA PARA O CONTROLE DO DIABETES.

A carinha dele, ainda com sono.

Hoje foi dia de fazer exames de rotina, ele não esta muito feliz, mas sabe que é necessário para um bom controle.
Antes do Diabetes exames laboratoriais eram anuais ou de emergência, ele odiava... mas depois do diabetes, ele aceitou melhor... logo no inicio conversamos, tudo sempre foi muito bem colocado, o que ele podia escolher e o que era obrigação, quanto aos exames eu faço assim, ele tem duas semanas e dentro desse tempo pode escolher o dia, caso não escolha, ele obrigatoriamente o fará no ultimo dia possivel, antes da consulta.
Ele gosta de ver os resultados das glicadas, comemora, se decepciona... ele esta aprendendo a lidar com os resultados, quando esta acima da meta, ele logo diz:
-Ihhh mãe, vamos ter que mudar algumas coisas...
E quando esta muito bem, também não se faz de rogado:
-Posso relaxar e comer um chocolate pra comemorar?
Hoje rimos muito com ele, toda a criança quando sai do laboratorio ganha um certificado de coragem, ele deu uma esnobada na atendente:
-Ja tenho tantos desses que esta virando coleção, hoje eu não quero não.
Eu tento ensinar ao meu filho, levar a vida com bom humor, quando rimos de algo que não nos agrada tanto, o peso fica menor, bem menor... mau humor, reclamações... nada disso vai amenizar, pelo contrario... tudo parecerá muito pior do que realmente é.
Desde do diagnostico, ja perdi as contas de quantos exames fizemos. Logo no inicio, foram muitos, antes de ser diagnosticado e entrar em tratamento, o diabetes faz uma verdadeira bagunça no metabolismo e as vezes ele pode vir junto com outra doença autoimune e para organizar tudo, muitos exames.
Hoje, tudo organizado, fazemos alguns exames periódicos, e são os que todo diabetico insulinodependente deve fazer.

HEMOGLOBINA GLICADA: A cada 3 meses, de preferencia no método HPCL, o recomendado pela SBD e exigido pelo medico do Igor.
Porque a cada 3 meses? Esse exame avalia o tratamento, a glicemia capilar é fundamental, mas é esse exame que vai direcionar o tratamento, quando a glicemia fica alterada por muito tempo, ela deixa "marcas" e é a porcentagem dessas "marcas" que vai determinar se o tratamento esta eficiente ou não, te-la muito baixa pode significar muitas hipoglicemias e isso também não é bom.
Eu percebi que quando não existe uma periodicidade neste exame, damos uma relaxada, achamos que esta tudo bem, por isso o medico pedindo ou não, eu faço a cada 3 meses.
PERFIL LIPIDICO: Logo apos o diagnostico o Igor teve uma alteração no colesterol, na época, como não sabiamos ainda se era dele, ou da bagunça feita pelo diabetes antes do tratamento, fazíamos junto com a glicada, de 3 em 3 meses, depois estabilizou e agora o medico pede de 6 em 6 meses, parece que ele tem uma tendencia a ter colesterol alto. Mas deve ser feito pelo menos 1 vez por ano por todo diabetico, e quando ha alterações, de 6 em 6 meses.
T4 e TSH: Assim como no perfil lipídico, o TSH do Igor estava alterado no diagnostico e se manteve por um tempo, mais de 2 anos pós diagnostico, fazíamos trimestralmente para avaliar o T4, quando este apresentasse alteração deveriamos entrar com medicamentos, estaria instalado um quadro de HIPOTIREOIDISMO, mas para nossa felicidade, ambos estabilizaram e agora também fazemos de 6 em 6 meses, por ele ter tido uma alteração insistente, e a indicação desse exame é de pelo menos 1 vez por ano quando não ha alterações.
Alguns outros exames que rastreiam possiveis sequelas do diabetes, começam a serem feitos a partir de 5 anos de diagnostico (dosagem de uréia, urina tipo 1, pesquisa de microalbuminúria, fundo de olho), como eu quero ter uma base la na frente, ja estou em contato com oftalmologistas, escolhendo quem vai acompanha-lo ao longo da vida, Dentista também (diabeticos tem mais tendencias a terem problemas de gengiva), são dois profissionais que são tão importantes quanto o endocrinologista depois de um certo tempo de diabetes e são eles, que juntos, vão ajudar num bom controle e a manter-nos longe das sequelas com qualidade de vida.

Alguns profissionais diminuem a quantidade de exames, e isso pode variar sim de uma pessoa pra outra, mas o exame de Hemoglobina glicada é tão baratinho, que da pra ser feito, mesmo sem o pedido medico e não requer jejum, em media entre 30 e 40,00.
Então, se você não tem certeza de que seu controle é bom, procure um laboratorio e tire esta duvida.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

3ª Blogagem Coletiva - Cura do Diabetes?! Uma causa perdida?!

Sinceramente, hoje não é um bom dia para escrever sobre esse assunto, talvez nenhum outro.
Tenho andado muito chateada, deprimida, sei lá...
Sugeri que falássemos sobre a pobreza e o diabetes, mas não tenho condições psicológicas para tentar imaginar a cena de uma família, 2 adultos e 3 crianças 1 delas diabética e uma renda mensal de menos de um salario minimo, simplesmente não dá pra imaginar a sobrevivência desta criança, se existir um caso de sucesso no controle por favor alguém me conta e me prova, porque ao meu ver é impossível com o tratamento que os diabéticos do brasil tem recebido do SUS um controle. Não quero imaginar, não quero mais pensar!!!
Alias, hoje eu queria não ter que pensar em DIABETES, queria tirar folga, não ver um glicosímetro, não ter que anotar nada, não ter que contar carboidratos, não ter que mexer com agulhas, não ter que aplicar insulina 7 vezes nem furar o dedo do meu filho umas 10.
E conscientizar as pessoas? Eu não consigo fazer isso a minha volta, algumas pessoas não conseguem entender que tem dias que eu fico com raiva, muita raiva por meu filho ter diabetes em outros eu fico triste embora na maioria das vezes eu "leve" tudo numa boa. A esperança de cura está cada vez mais longe, quase não a sinto mais, e quanto mais longe ela fica, maior é a dor quando eu canso dessa rotina.
Eu não penso mais em futuro, porque não tem como eu fazer isso sem me cobrar, se me policiar sem entrar na neura de que eu posso não estar fazendo a coisa certa, de que daqui a 10 anos meu filho pode estar com sequelas, tem tanta coisa que eu queria sonhar pra nós, mas se eu sonhar eu vou ser mais autocontroladora, eu sou perfeccionista comigo mesmo.
Não sei se a maioria das pessoas sabem o que é medo de perder um filho aos poucos, ou se elas preferem apenas ignorar que esse sentimento existe em mim.
Estou cansada das pessoas falando, escrevendo e publicando que uma crianças com diabetes pode levar uma vida normal, a criança vai ter com certeza, vai fazer tudo que toda criança faz, mas e quem cuida dessa criança?
Hoje está chovendo e frio, em dias de chuva e frio a glicemia do Igor descontrola.
É semana de prova, em época de prova a glicemia do Igor descontrola.
Ele está ansioso pra saber se vamos a Curitiba ou não, eu não posso dar essa resposta, nem quero mentir para o meu filho, quando ele fica ansioso a glicemia descontrola.
Eu e o pai dele estarmos estressados um com o outro, quando nos estressamos a glicemia do Igor descontrola. (e se você pensar, "então porque se estressa com o pai dele?" é mais uma daquelas pessoas que não consegue perceber que sou um ser humano)


Meu filho hoje é um $ para os laboratórios e uma estatística para o governo e essa situação não me deixa nada confortável, e vamos combinar, é agora e vai ser sempre!!!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Washington, o Coração Valente.


As vezes, me canso da mídia. Tudo que depende da educação para dar certo, não adianta aterrorizar, tentar fazer dar certo pelo medo, o medo uma hora todo mundo perde.
Lembro da primeira entrevista do Washington que assisti, foi quando ele encerraria a carreira por problemas cardíacos, ja gostei da garra dele. Quanto ao lance dele ter diabetes, passou despercebido. Diabetes pra mim era algo banal, o tratamento só deixar de comer doces.
Depois que o Igor foi diagnosticado, eu percebi que não era nada do que eu ouvia falar.
Quando a poeira baixou eu comecei a acompanhar com mais atenção os diabéticos famosos, lembro do dia em que Dado Dolabella falou da morte do pai, ele se referiu ao Diabetes como doença maldita, mas quem é Dado Dolabella para classificar o Diabetes?
Percebe-se que poucos falam da situação, só sabemos depois que falecem, talvez seja medo do preconceito não sei, mas tem este direito.
Nós, que convivemos diariamente com o controle da glicemia, conseguimos chegar bem perto da proporção do sentimento que levou o Washington a encerrar a carreira, 90 min de jogo controlando a glicemia, Não é para qualquer um, com certeza é um grande guerreiro.
Chega uma hora em que todos entram em desvantagem biológica, e ele tem alguns agravantes.
Com certeza deve ter muito diabético dizendo: "Ta vendo como o diabetes é maldito, parou o cara antes da hora."
Mas com toda certeza também tem muito diabético pensando: "Se ele fez tudo isso, eu também posso fazer algo pelos meus sonhos"
É isso aí, depende de como você olha a situação, um copo meio vazio ou copo meio cheio.
Quantos gols ele não deve ter perdido por conta de hipoglicemias? Quantos tombos numa hora decisiva?
Isso não conta, não pra nós que fazemos parte desse circulo azul. Pra mim, enquanto botafoguense, conta a superação, contam os gols, contam os titulos. No ultimo "Fla X Bot" me peguei torcendo por um gol dele, foi meio neurótico.
Mas diabetes é isso aí, disciplina na vida, tem horas de retiradas estratégicas, ninguém pode ter tudo na vida, isso serve para todos, quanto temos além de nossa necessidade, algo importante se perde em meio ao excesso.
Com certeza ele fez a opção correta, pela vida, pela familia, só é capaz de fazer essa opção quem traz grandes valores no coração, para quem tem o CORAÇÃO VALENTE.
Pensem duas vezes antes de dizer que uma criança com diabetes não tem grandes perspectivas para o futuro.
Pensem duas vezes antes de fazer de tudo pra ser visto como um coitado por ter diabetes.
Pensem duas vezes antes de dizer que o diabetes te impede de viver.
Diabetes é só um detalhe.
Em futebol tudo é questão de sorte e talento, mas capacidade física é ímpar, se comparado ao grande astro do futebol brasileiro "Ronaldo, o fenômeno" eu fico com Washington, ambos com 35 anos.
Ambos lutaram contra problemas que tirariam qualquer um do futebol, ambos venceram e retornaram, mas apenas 1 teve a coragem de dizer: "Um dia a profissão acaba e é importante ter hombridade e humildade...".
Termino este post com um trecho da entrevista coletiva:
"Um dos meus maiores orgulhos é saber que fui exemplo de vida para algumas pessoas. Que seja uma, mas que dei o exemplo. Muitos mandam mensagem e dizem que o que fiz fez com que a pessoa superasse o problema. Esse é o maior legado que levo".


Leia mais em:  globoesporte.globo.com


Para quem não sabe sobre diabetes:
Um diabetico não pode fazer esforço fisico com a glicose acima de 250mg/dl, quem toma insulina depois de um tempo de exercicio ela começa a baixar dependo de muitos fatores externos isso pode ser rapido ou não, podendo atingir niveis baixos em 30 min, quando os valores ficam abaixo de 70mg/dl podem ocorrer sintomas como confusão mental na coordenação motora, disturbios de visão e se não corrigida a tempo pode chegar a convulsão.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Diabetes e Jiu Jitsu

Atendimento medico no dojô

É a temporada de torneios e campeonatos.
A maioria são campeonatos seguros na medida do possível, tem para médicos e ambulâncias nos locais, o atendimento em caso de lesão é imediato, acontece ainda no dojô, qualquer reclamação de dor o competidor é avaliado por um medico pra saber se pode ou não continuar  a luta.
No Ultimo que nós fomos, vi um rapaz de mais ou menos 20 anos, deslocar o ombro de bobeira, ele recebeu um golpe com o próprio kimono, é daqueles golpes que não dá pra sair, ele tentou até acabar o tempo de luta e no final só não chorou não sei porque. É o Igor de amanhã.
O Igor não participou do campeonato por causa da variação na glicemia causado pela ansiedade, como ele sabia que não ia lutar, chegamos no torneio com números otimos, precisamos até fazer refeições extras.
No próximo ele também não vai, no treino durante a semana ele fez não fez o que deveria fazer e arriscou uma lesão no cotovelo, o treinador conhece seus atletas, sabe de suas reações, mas um juiz não pode parar uma luta por que acha que o atleta não vai reagir, vale medalha.
Eu fico imaginando minha reação caso meu filho precise de atendimento no dojô, tem uma grade que nos separa do local da luta, ficamos longe, eu piro.
Arena de lutas simultâneas
O grande problema é, quando são chamados para a área de concentração não lutam de imediato, as vezes ficam lá por mais uma hora, as medições de glicemia só podem acontecer antes deles serem apresentados pelo treinador, ainda não consegui informações se pode acontecer diferente, quanto a hipoglicemia durante a luta não me preocuparia se pudesse medir no exato momento de entrar no dojô.
E tenho certeza de que o Igor não ficaria nada satisfeito de entrar no dojô apenas para não ser desclassificado e ver o braço do oponente ser levantado sem luta.
Não consigo uma resposta segura dos médicos quanto a aplicação de insulina antes da luta, são apenas 3 minutos, mas de muito esforço muscular, eu vejo como o Arthur sai exausto do dojô, são 3 minutos intermináveis pra mim.
Bom, no próximo domingo teremos outro campeonato, o Arthur vai lutar e o Igor vai como espectador, enquanto assistimos as lutas procuro mostrar o que não fazer e sempre não deixando passar em branco os resultados de não aceitar que foi derrotado.
Meu medo? Ele lesionar seriamente o cotovelo ou o ombro ou sofrer uma crise de hipoglicemia durante a luta.
No domingo, vou me informar sobre o dextro antes da luta, se é possível ele levar o glicosimetro para a concentração, ele quer ser um campeão, mas um campeão se faz com responsabilidade.
Quanto a hiperglicemia, o Arthur sugeriu que o inscrevesse e só avisasse que ele vai lutar quando fosse chamado, daria tempo dele lutar antes de alcançar números assustadores, é uma boa? Não sei....
Acho que ele deve aprender desde agora a lidar com a própria ansiedade, aprender a controla-la, hoje eu posso tentar dar uma volta nela, mas amanhã o mundo não fará a mesma coisa com ele só porque é diabético.
Vamos prepara-lo para a temporada 2011.

domingo, 15 de agosto de 2010

Feira de Saúde e Cidadania.

Foram mais de 200 exames, alguns orientados a procurar um medico para exame de glicemia em laboratório, 5 diagnósticos com glicemia acima de 300mg/dl, 16 DM2  sem informações adequadas, 7 completamente descompensados.

Que alegria!! A família inteira testando a glicemia, tudo OK.
Adilson, meu DM1 adotivo, pós prandial 99mg/dl, me preocupou,
ele toma NPH e Regular, mas não mede a glicemia nem faz contagem de Carboidratos.


Eu, Angela Pelito(Pres. Lions Vargens) e Luzia(DM2) em busca de informações.
To passada...
Ontem foi a Feira de Saúde do Lions aqui no meu bairro, e começamos a fazer o cadastro dos diabéticos do bairro, infelizmente choveu e não tivemos o publico esperado que seria de 600 exames de glicemia capilar, ficamos em torno dos 250, mas já foi um avanço.
Pela primeira vez foram feitos exames de glicose em crianças, e os com resultado alterados receberam um orientação, e quem deu essa orientação? Euzinha... Cadastrei, entrevistei e respondi algumas perguntas, lógico, as que eu podia responder, não sou medica e nem tenho pretensão de suprir informações que devem ser dadas por um profissional.
Com crianças também fazendo os exames identificamos uma família inteira com as glicemias alteradas e PA também, diante da possibilidade de erro do glicosimetro a família foi orientada a buscar informações medicas e nutricionais, senti que algo mudou para aquela mãe: "Eu não sabia que criança também tinha diabetes.". É... eu também não.
Triste mesmo foi assistir o choro descontrolado que nem sabia da possibilidade de ter glicemias acima de 300mg/dl, coincidência ou não 3 funcionários do C.R.Flamengo, aqui no Ninho do Urubu.
Identificamos 16 DM2, desses 16 apenas 1 possui glicosimetro e sabia o que é HbA1C (hemoglobina Glicada) mas não sabia o valor, 3 haviam abandonado o tratamento depois de uma crise de hipoglicemia, 1 faz "tratamento" num hospital de emergência, se sente mal procura a emergência volta pra casa com Metformina, quando acaba volta la e recebe mais, um ABSURDO!!!!
Com o passar da manhã comecei a tentar entender como funcionava o tratamento de Diabetes no bairro (Posto de Saúde), ninguém sabia sobre contagem de carboidratos, glicosimetro, hemoglobina glicada, e todos com tratamento no mesmo lugar, posto de saúde.
Não foi difícil de entender, nem precisei perguntar muito, o medico responsável pelo tratamento da maioria (clínico geral) os classifica com agressivos, não acha necessário o teste glicemico diário e só encaminha a um endocrinologista os que precisam de insulina.
Quando comecei a falar com ele sobre os sintomas de hipoglicemia, da agressividade como sintoma, de pessoas que foram confundidas com drogados e com o apoio de uma Assistente social, ele abandonou a conversa, não entendi porque... quando o assunto estava ficando bom!!!
Sei que criar uma Associação voltada para os diabéticos do bairro vai ser uma tarefa difícil, mas não tenho como fingir que isto não é necessário, é urgente!!!
5 diagnósticos inesperados, pra mim já valeu a pena.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Uma rotina, totalmente sem rotina...

 Praticando rolamento na areia: voar por cima e rolar do outro lado.

Parece doideira escrever isso, rotina sem rotina, mas é assim que tem sido minha vida.
Esta semana completamos 1 ano que o Igor saiu do hospital depois da cetoacidose, ele quis comemorar, e comemoramos com pizza, em casa mesmo, convidamos uns amigos e comemoramos, lógico que tive o cuidado de escolher a massa, ele comeu bem e não teve alterações glicemicas, sem contar que ficou muito feliz.
Onde está o glicosímetro?


As vezes ainda sofro com a maneira adulta com que meu filho lida com o diabetes, queria tanto que ele só se preocupasse com coisas de criança... Ele tem noção exata do risco que correu, como ele mesmo diz, "agora eu tenho dois aniversários", isso me deixa meio triste.
Como disse no post anterior, estamos com um bom controle, nossa rotina que envolve o diabetes é seguida a risca, temos uma vida normal, baseada nesta rotina que não é igual todos os dias.
Domingo foi dia de torneio de jiu jitsu, saimos de casa, cumprimos a rotina, medir glicose, pegar sachê de glicose, lanches extras, glicosimetro, a glicose estava em 140, fazia 1hora e 30 min que havia comido, estava otimo, depois do aquecimento fomos conferir pra ter certeza antes da luta, 332, como??? porque??? Não competiu, ficou triste, acho que isso ajudou em muito a elevação das glicemias seguintes, foi frustrante pra ele, para o adversário dele, e pra mim, vê-lo daquele jeito, eu ainda não sei se é possível praticar exercício de força como é uma luta de jiu jitsu depois de tomar insulina, nunca havíamos pensado na hipótese da glicose subir tanto, sempre focamos em evitar a hipo. Com certeza foi tudo emocional, chegamos em casa para o almoço com a glicemia maravilhosa:
-Mãe, não era pra eu lutar.
Esse conformismo dele me assusta!!!
Quando eu vejo números exatos, raras hipos e hiperglicemias, por um longo tempo, eu vou ficando alerta, com uma sensação de perigo iminente, as vezes chego a ouvir a respiração do Igor de tão concentrada que fico nele, e hoje foi um desses dias, acordei com a sensação de que algo ia acontecer, estava muito inquieta, sem concentração, enquanto fazia o almoço o Igor deitou no sofá pra ler gibi, de repente passo por ele e vejo que ele está de olhos fechados, chamei por ele, nada, nessa horas as pernas bambeiam e mente vaga por possibilidades, segundos parecem horas, lembro de sacudi-lo, ele abriu os olhos e fechou de novo, sacudi mais uma vez e ele resmungou que queria dormir, GLICOSE - 54, faltavam mais de 40 minutos para o almoço, não fez atividades físicas, uma manhã parada, o que houve??? qual o motivo dessa hipoglicemia???
Não tem, se tratando de diabetes, nada tem uma explicação exata, apesar de nossa rotina ser baseada em matemática, não temos resultados exatos, não é simplesmente tomar um remédio e ter o efeito esperado, o efeito da insulina e da ingestão de carboidratos depende de muita coisa, acho que até da umidade relativa do ar.
Um dia felizes com os números, em outros assustados, as vezes triste pelo que não podemos fazer em determinado momento, em outros felizes porque apesar do diabetes podemos fazer de tudo.
Uma rotina, totalmente sem rotina...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Aceitação e Culpa

Eu aceitei os fatos, mas se dizer que não procurei alguém para culpar seria mentira, em nenhum momento culpei Deus, a esse apenas agradeci ter ajudado a salvar a vida do meu filho, Ele vinha me avisando ha meses que algo estava pra acontecer, o pai dos meninos dizia que eu estava louca, mas em alguns dias eu olhava para o Igor e simplesmente dizia: - Ele não está bem, vai ficar em casa!!!
Pra ele eu estava controlando e privando o Igor de viver, mas sou mãe coruja e se tiver essa sensação eu sigo a risca, ele não estava mais indo ao Jiu Jitsu.
- O garoto está bem, você esta aprisionando ele...
Se meu filho tivesse a crise de cetoacidose durante uma luta, talvez fosse bem pior, hoje sei disso.
Algumas semanas depois do diagnostico, eu me revoltei com o pai do Igor, temos uma relação tumultuada, não somos nem casados nem separados. A gravidez e os primeiros meses do Igor não foram facieis pra mim, e quando temos uma doença onde os aspectos emocionais contam muito, é pra lá que olhamos.
Internamente, comecei a odia-lo, meu silencio com ele era mortal, e eu não sabia, mas ele também se culpava.
Um dia não suportei mais e verbalizei meu odio, foi horrivel.
Como diz o velho ditado, uma das coisas que não tem volta é palavra dita.
Mas na hora esqueci que ele é pai, das dificuldades emocionais que ele também tem, da obrigação de não poder deixar faltar nada para um filho, do custos do tratamento vitalicio e do machismo.
No meio dessa confusão, descobri que apesar de acompanhar o tratamento ele ainda não havia aceitado o Diabetes em nossa vida, e pra ele é dificil aceitar por conta da culpa que colocou em seus ombros.
6 meses depois, se lembra-lo ele faz o que é necessario, não conversamos muito sobre Diabetes, apenas sobre o tratamento e tentamos nos programar financeiramente para tratamentos futuros, conversamos sobre as possibilidades de cura, e ainda esperamos um milagre.
Mas no fundo, ainda me pergunto: e se a gravidez tivesse sido diferente????
Sei que não adianta, não poderei mudar o que ja vivemos, mas a pergunta vem a cabeça quando eu menos espero.
Podemos mudar daqui pra frente, não vai adiantar lamentos, nem alguém para culpar, nada será mudado.
Hoje eu sou o pancreas do meu filho e isso só será mudado com o tempo.
Voltamos a vida... com a responsabilidade de não sentir culpa no futuro.
Não suportaria saber que lá na frente o Igor teve um problema porque nós falhamos no tratamento!!!!
Não existem culpados, é perda de tempo procura-los!!!!
Isso é aceitação.

sábado, 23 de janeiro de 2010

O soco no estomago...

Julho de 2009... As coisas começaram a ficar estranhas, o Igor andava irritadíssimo, algumas noites fazia xixi na cama, o sonambulismo dele estava a toda, e eu dormia mal por conta de vigia-lo.
Devido a grandes estresses que passou no primeiro semestre do ano, acreditei que esse era a causa, as coisas iam mal no ambiente escolar, o melhor amigo deixou o colegio, eu voltei a trabalhar fora e estava muito envolvida no novo projeto.

Em 16 de Julho as coisas começaram a piorar, percebi que em dois dias havia consumido um galão de 20L de agua, assim que percebi liguei para a pediatra, e como ele não havia perdido peso nem aumentado o apetite, me deu duas opções, leva-lo a uma emergencia e pedir um exame de urina ou aguardar até o dia 18 para atendimento no consultório, maldita hora em que peguei a segunda opção, sei lá se foi maldita mesmo...
O Igor não voltaria ao mesmo colégio, isso ja era certo, Não poderia faltar a reunião do dia seguinte, na minha cabeça, entrando de ferias as coisas voltariam ao normal...
As 5 horas da manhã do dia 18 de Julho de 2009, ele me acordou reclamando de dor de cabeça, era forte, mediquei, só podia ser sinusite, depois de um cochilo vieram os vomitos, que não pararam mais, vomitava e fazia coco, não era diarreia, mas era em grande quantidade, aquilo me apavorou, nunca havia visto ou ouvido falar de coisa parecida, as 7 da manhã comecei a prepara-lo para irmos ao consultório, mesmo que seja emergencia se puder prefiro passar no consultório da pediatra, quando tirei a roupa dele para dar-lhe um banho, o susto foi bem pior, em 1 hora meu filho havia secado, era pele e osso.
Veio a minha cabeça todas as pesquisas que havia feito no GOOGLE na noite anterior sobre crianças urinando e bebendo muita água, os sintomas que faltavam estavam ali, na minha frente...
Não sei como consegui dirigir até o consultório, mas cheguei lá... imediatamente ela o atendeu, deu um frasco de soro, qualquer coisa escrita num receituário para entregar na recepção do PS, e exigiu que eu não aguardasse uma única pessoa ser atendida. Foi o suficiente para eu ter a certeza de que não podia dirigir mais, fui de taxi, e a essa altura ele não andava mais...
Até hoje não sei o que estava escrito no receituário, mas assim que entreguei começou uma correria, de imediato, em volta da maca haviam dois medicos e duas enfermeiras que chegaram com varios equipamentos, meu cerebro estava congelado, só conseguia falar com Deus, o primeiro procedimento foi o dextro, medidor de glicose, o aparelho não marcou (a contagem de glicose acima de 600 ele não marca) , as pernas bambearam, as lagrimas desceram, foi como tomar um soco na boca do estomago...
O sangue não saia da veia para exame laboratorial...
- Sobe para UTI... Não temos tempo, sobe no colo mesmo!!!

Eu não tinha tempo para sofrer, não tinha tempo para chorar, as pernas tinham que estar aptas para carregar meu filho no colo...