segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Como matemática...
Hoje posso dizer que ja aprendi um pouco da matemática do diabetes.
Como assim??? Matemática???
É mais ou menos por aí, são números, frações, unidades, peso, tudo isso multiplicados ou divididos entre si.
Não adianta dizer que em diabetes se sabe tudo, ninguém sabe tudo, se soubessem já existiria a cura.
Diria que diabetes é um desafio matemático, nós sabemos o que fazer, como fazer mas nem sempre o resultado será o que esperamos, é como se existisse uma parte do calculo que ainda não foi descoberto.
Hoje, a rotina, os cuidados, tudo já é feito naturalmente, é como se o Igor tivesse nascido diabético, como se fizesse parte da rotina de todos o dextro, contagem de carboidratos, aplicação de insulina, tudo tem sido muito natural.
Boa parte da minha preocupação com o Diabetes foi resolvido, consegui transferir o acompanhamento dele para o IEDE , imagina a sensação de vir de uma consulta com Lantus, Novorapid, Tiras reagentes... É maravilhoso saber que você só terá que se preocupar em comparecer a próxima consulta no que diz respeito a insulina e tiras, isso já é um peso a menos no orçamento e estresse a menos.
Por uma lado estou meio triste, a Equipe do MARTAGÃO GESTEIRA, é simplesmente maravilhosa, não quero abandona-los, mas aí eu fico pensando... se eu continuar com duas matriculas no SUS não estarei tirando a oportunidade de alguém de receber atendimento? As coisas no SUS, são tão estranhas...
Infelizmente tenho que levar em conta também a parte financeira da família, e muito em conta... Bem que Eduardo Paes podia tomar um chá de simancol e fazer o que deve ser feito, mas parece que a prefeitura vai de mal a pior no quesito Assistência do SUS.
Esse mês, é o mês das consultas medicas, pediatra, oftalmologista, alergologista, otorrinolaringologista e para o mais velho incluiremos ortopedista, é... já está dando sinais de um problema de família, uma perna mais curta que a outra, não dá muita diferença, porém mais tarde... haja coluna, com ele quero fazer diferente, tentar reverter isso desde cedo...
Eu tiro um mês para as consultas por que os exames fazemos todos juntos, é mais fácil.
Desde que o diabetes surgiu as alergias do Igor simplesmente desapareceram, quer dizer, não se manisfetaram, mas duvido se não estão lá, quietinhas esperando uma bobeira pra se manisfetar, elas são assim traiçoeiras.
Enfim, estamos passando o inverno sem crises respiratórias, temos irritações no joelho e cotovelo por conta do ressecamento típico do inverno, o mais velho também está com irritações no rosto e nos braços.
Pra quem já voltou de uma consulta pra se desfazer de colchões, lençóis e roupas com mais de 6 meses de uso, tenho certeza que resolver isso vai ser moleza.
Acho que quando aceitamos um diagnóstico, nos conformamos com ele e buscamos viver o melhor possível com ele as coisas ficam mais fácil, uma coisa eu entendi, quanto mais eu maldizer o diabetes, as alergias mais elas provocarão a minha fúria.
Todos os dias eu espero a cura, e vou espera-la enquanto eu viver.
Quero chegar ao resultado exato e único dessa formula matemática.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Uma rotina, totalmente sem rotina...
Praticando rolamento na areia: voar por cima e rolar do outro lado.
Parece doideira escrever isso, rotina sem rotina, mas é assim que tem sido minha vida.
Esta semana completamos 1 ano que o Igor saiu do hospital depois da cetoacidose, ele quis comemorar, e comemoramos com pizza, em casa mesmo, convidamos uns amigos e comemoramos, lógico que tive o cuidado de escolher a massa, ele comeu bem e não teve alterações glicemicas, sem contar que ficou muito feliz.
Onde está o glicosímetro?
Como disse no post anterior, estamos com um bom controle, nossa rotina que envolve o diabetes é seguida a risca, temos uma vida normal, baseada nesta rotina que não é igual todos os dias.
Domingo foi dia de torneio de jiu jitsu, saimos de casa, cumprimos a rotina, medir glicose, pegar sachê de glicose, lanches extras, glicosimetro, a glicose estava em 140, fazia 1hora e 30 min que havia comido, estava otimo, depois do aquecimento fomos conferir pra ter certeza antes da luta, 332, como??? porque??? Não competiu, ficou triste, acho que isso ajudou em muito a elevação das glicemias seguintes, foi frustrante pra ele, para o adversário dele, e pra mim, vê-lo daquele jeito, eu ainda não sei se é possível praticar exercício de força como é uma luta de jiu jitsu depois de tomar insulina, nunca havíamos pensado na hipótese da glicose subir tanto, sempre focamos em evitar a hipo. Com certeza foi tudo emocional, chegamos em casa para o almoço com a glicemia maravilhosa:
-Mãe, não era pra eu lutar.
Esse conformismo dele me assusta!!!
Quando eu vejo números exatos, raras hipos e hiperglicemias, por um longo tempo, eu vou ficando alerta, com uma sensação de perigo iminente, as vezes chego a ouvir a respiração do Igor de tão concentrada que fico nele, e hoje foi um desses dias, acordei com a sensação de que algo ia acontecer, estava muito inquieta, sem concentração, enquanto fazia o almoço o Igor deitou no sofá pra ler gibi, de repente passo por ele e vejo que ele está de olhos fechados, chamei por ele, nada, nessa horas as pernas bambeiam e mente vaga por possibilidades, segundos parecem horas, lembro de sacudi-lo, ele abriu os olhos e fechou de novo, sacudi mais uma vez e ele resmungou que queria dormir, GLICOSE - 54, faltavam mais de 40 minutos para o almoço, não fez atividades físicas, uma manhã parada, o que houve??? qual o motivo dessa hipoglicemia???
Não tem, se tratando de diabetes, nada tem uma explicação exata, apesar de nossa rotina ser baseada em matemática, não temos resultados exatos, não é simplesmente tomar um remédio e ter o efeito esperado, o efeito da insulina e da ingestão de carboidratos depende de muita coisa, acho que até da umidade relativa do ar.
Um dia felizes com os números, em outros assustados, as vezes triste pelo que não podemos fazer em determinado momento, em outros felizes porque apesar do diabetes podemos fazer de tudo.
Uma rotina, totalmente sem rotina...
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
7
opiniões ou comentarios sobre o texto
quinta-feira, 22 de julho de 2010
1 ano convivendo com o Diabetes.
Temos a velinha da esperança aqui ao lado, que quiser enviar energias positivas pra nós e para tantos outros diabéticos, é só acender, mas com o pensamento na cura, toda forma de energia positiva é bem vinda pra quem tem esperança de cura, eu tenho!!!
Igor na festa de aniversário de 1 ano
1 ANO, nossa parece que foi ontem, as vezes parece que sempre foi, que ela sempre esteve entre nós, já é tão natural controla-la...
Comemoramos essa data com a hemoglobina glicada de 6,9%, sem nenhuma hipo severa ou hiper de assustar, a única coisa que ainda me deixa grilada é que EU acho que ele cresceu pouco, mas os médicos dizem que ele está dentro do padrão. Ainda não conseguimos controlar o impacto financeiro do tratamento nas contas da casa, mas eu decidi que não vou me preocupar com isso.
Uma analise de prós e contras me levou a tentar trocar o local de atendimento do SUS, amo o atendimento no Martagão Gesteira, os médicos são otimos, mas tenho que evitar tanto estresse.
O governo do Rio está fornecendo os análogos de insulina nas farmácias dos centros de tratamento de Diabetes, sem a necessidade de processo jurídico, que não dá em nada, já vamos completar 3 meses sem insulina, apesar da publicação no diário oficial do bloqueio online.
Amanhã é dia de tentar resolver isso, sei o que fazer e onde ir, só não sei se vai acontecer.
Com o diabetes em si, a doença, não temos tido muita preocupação, a rotina já se acomodou e aceitamos muito bem, tento fazer o possível para que o Igor não se sinta diferente das demais crianças e acho que tenho conseguido.
Outro dia ele me emocionou, ele veio me falar do lado positivo do Diabetes:
-Eu aprendi a me alimentar melhor, todo mundo precisa cuidar da alimentação sendo diabético ou não, eu me alimentando bem serei mais saudável.
Eu fico orgulhosa quando as pessoas admiram a atitude dele diante da doença, mas ao mesmo tempo meu coração dói, é muita responsabilidade para uma criança, ele ouve o que os médicos dizem e por iniciativa própria põe em pratica, as vezes eu quero que ele seja mais criança, pense apenas em coisas de crianças...
Estou começando a acreditar naquela historia que rola pela internet, de que Deus escolhe a família e as crianças com diabetes pelas virtudes.
O Igor começou a tomar mamadeira com 2 meses, o leite do peito não era o suficiente, ele nunca deixou que alguém segurasse a mamadeira pra ele, era incrível, menino prodígio, todo mundo queria ver o Igor mamando sozinho. O Igor aos 10 meses, descia do berço, isso mesmo, descia... até hoje não sabemos como, ele só fazia a proeza quando não havia ninguém no quarto, ele não caia, ele descia, o pegávamos varias vezes sentado na grade, era a diversão dele, sentar na grade e se jogar no fundo do berço, e não era um bercinho pequinininho, era padrão americano.
Quando o Igor começou a andar, tivemos que afastar tudo das janelas, ele queria pular janelas, graças a Deus moramos em casa e não abríamos nem portas nem janelas no segundo andar.
Ele custou a falar, eu achei que fazê-lo falar tinha sido a pior tortura pra mim, depois de meses de tratamento e vários exames, os médicos chegaram a conclusão de que ele não falava porque não precisava, como assim??? Nós fazíamos tudo pra ele, entendíamos o que ele queria e não esperávamos pra atende-lo.
A partir de então, ele só seria atendido depois que falasse o que queria, nossa!!!! Como eu sofria, mas hoje o que mais se houve é "Cala boca Igor", mas fala muito, e o tempo todo, e sobre tudo, affff, Graças a Deus!!!
Esse é o meu menino lutando Jiu Jitsu, o objetivo dele?
-Mãe vou treinar muito pra ser o numero 1 da academia, e ainda por cima diabético.
Alguém duvida?
Nesse 1 ano me dedicando aos meus filhos só lucrei, se perdi algo por aí, festas, viagens, passeios ou mais alguma coisa, tenho certeza que não seriam tão gratificantes quanto ver os olhinhos do Igor radiantes e seguros ao receber dos médicos os parabéns pela Hemoglobina Glicada, com certeza a ajuda e a consciência que ele tem sobre o tratamento colaboraram e muito.
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
7
opiniões ou comentarios sobre o texto
Assinar:
Postagens (Atom)
